O efeito “eu sempre soube”

 

O efeito “eu sempre soube”

 

O efeito “eu sempre soube”
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o efeito eu sempre soubeAntes de mais nada, já repararam em quantas vezes escutamos ou dizemos “eu sabia” – “eu disse” – “eu avisei”? Certamente inúmeras vezes nos pegamos a dizer estes bordões, ou a ouvi-los.

Mas nem sempre quer dizer que havíamos previsto um acontecimento. Ou nos guiamos pela maioria ou escolhemos navegar contra a maré. Ou até mesmo somos influenciados a pensar que realmente pensamos aquilo. Bem complexo, não é mesmo?

Em alguns momentos vemos ou lemos comentários sobre economia. Há a alta do dólar ou a queda do mesmo ligado a inúmeros fatores externos. Mas o que ocorre quando acontece exatamente o oposto do que o economista diz? Provavelmente ele explica de forma coerente que aquela reação da moeda era a esperada devido a situações “a”, “b” ou “c”.

Resumidamente não estou dizendo que o economista sabia exatamente qual seria a tendência da moeda. Porém, ele avalia bastante. E  todo cenário pode mudar. Afinal, são tendências.

Este  efeito é algo rotineiro em nossa vida cotidiana. Até porque o  tempo todo tomamos decisões. E nossas decisões são baseadas em nossas opiniões acerca de um assunto. Quando acertamos o mérito é nosso. Mas quando erramos, tentamos justificar com a teoria do “eu sabia”.

Uma limitação da mente humana é a sua capacidade imperfeita de reconstruir estados passados de conhecimento, ou crenças que depois mudaram. Uma vez que muda sua visão sobre o mundo, você imediatamente perde muito de sua capacidade de recordar em que costumava acreditar antes de mudar de ideia. Nossa incapacidade para reconstruir crenças passadas inevitavelmente o levará a subestimar em que medida você foi surpreendido por eventos passados.

Quando um evento improvável acontece (Gravação do Michel Temer com Joesley Batista) as pessoas exageram a probabilidade que haviam indicado para aquilo, anteriormente. E se o evento possível ainda não aconteceu ou não se confirma, as pessoas erroneamente recordavam que sempre o haviam considerado improvável.

A ideia de que o futuro é imprevisível é solapada diariamente pela facilidade com que o passado é explicado. Nossa tendência a construir narrativas coerentes do passado faz com que seja difícil aceitar os limites de nossa capacidade de fazer prognósticos sobre o futuro. Somos propensos a culpar os tomadores de decisão (traders, empresários, cirurgiões…) por boas decisões que não deram certo e a lhes dar pouco crédito por medidas bem sucedidas que parecem óbvias apenas após o ocorrido.

Aliás, estamos a pleno vapor da copa do mundo. Muitos dizem que o Brasil irá ganhar, outros dizem que não irá ganhar. Até que o fato seja concretizado haverá rumores, porém depois haverá o “eu sempre soube”.

Texto escrito em parceria com:

Vitor Mendes (Universidade do Trader)